

Quando este espaço me foi corajosamente cedido, imediatamente propus contar pequenas histórias sobre grandes craques não das canchas, mas sim da música brasileira de todos os tempos, tamanha a riqueza e graça dessas verdadeiras pérolas. Daí entenda-se por graça aquela tratada num soneto de Shakespeare que dizia, com carradas de propriedade: “Quem, podendo ser mau, seu poder aproveita / Para ir fazendo o bem, constante, vida em fora, / Atuando em outros e vencendo, a alma escorreita / As próprias tentações, fiel ao ideal que o aurora / Esse diretamente do céu herdou a graça / E sabe despender os dons da natureza / E senhor de si mesmo e a vida, feliz, passa / Os outros gerem só, tão-só, estranha riqueza”.
Vale sim afirmar que todas essas pequenas histórias se pretendem absolutamente verdadeiras, salvo prova em contrário registrada em cartório e com firma reconhecida, e me foram contadas por quem conviveu de perto com os seus protagonistas, ou pelos próprios, ou pinçadas aqui e ali. São deliciosas besteiras, típicas do espírito brasileiro. Afinal de contas, tudo aquilo que só existe no Brasil, tirando jabuticaba, é besteira.
Mário Mammana.

BIFE OU TORRESMO?

Essa é outra das inúmeras histórias de Adoniran Barbosa e quem a conta é Carlinhos Vergueiro.
No final da vida e no auge do sarcasmo Adoniran estava compondo, juntamente com o próprio Carlinhos, a música “Torresmo a milanesa”, que viria a ser uma de suas últimas.
Por sugestão de Carlinhos, a letra tinha um trecho que dizia: “Arroz com feijão e bife a milanesa”.
A composição foi sendo feita por ambos, matutando sobre a letra, a melodia e a harmonia, Carlinhos de violão em punho, cervejinhas, acepipes e etc. De repente Adoniran diz: - “Não Carlinhos, isso não está certo”. Carlinhos olhou espantado, sem fazer idéia do que se passava e Adoniran emendou: - “Bife a milanesa não. Vamos colocar torresmo a milanesa”. “Por que torresmo Adoniran?” perguntou Carlinhos. “Porque não existe!”
“Ah”, continuou Adoniran, “E vamos colocar UM torresmo”. “Por que pôrra?”, ao que Adoniran responde com aquele brilhozinho criativo nos olhos: “Porque é mais triste pôrra!!!”

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