Falando de Homem pra Homem

– Estou aí para o que der e vier, mas se não DER... Ou não VIER...  EU NÃO TÔ NEM AÍ!

Então é assim. Botecão básico, final de tarde e eu mando alto uma dessas. De cara, um dos caras da mesa ao lado começa a me alugar:

 – Isso parece conversa de homem.

E lá vem mais uma cerveja com uma porção daquele blablablá sem fim sobre diferenças entre os sexos, manja? Ninguém chega à conclusão alguma, claro. Mas isso é o que menos importa numa mesa cheia de mulheres.

Fico pensando de onde surge uma pérola dessas. Acho que, no fundo, nem acredito que seja exatamente como eu disse... O que eu disse mesmo? Minhas amigas estão superempolgadas, tentam fazer com que a outra turma se interesse também por nossas opiniões – além dos nossos rostinhos sorridentes. Começam as “lições” de linguagem.

Exemplo bem prático : um homem te convida para jantar porque quer... Jantar-te. Sugere um restaurante japonês só para te embebedar de saquê e ainda dar pinta de descolado. Elogia o olhar de uma moça quando está é de olho na “butique” dela !

Até aí tá tudo óóóóótimo!

E as desculpas esfarrapadas? Se envolverem mães ou ex-namoradas merecem cartão amarelo. O pior é quando querem dar a desculpa pela gente :

– É melhor eu não subir porque você precisa descansar – quando é ele quem está cansado, quer ou tem que ir embora.  Ela ali, fazendo o maior esforço para parecer que só o convida por obrigação, enquanto deseja conjugar o verbo subir num tempo enlouquecido... Que eu suba, que tu subas comigo, que nós cheguemos às alturas.

O cara insiste naquele textinho babaca:

– Acho melhor, né? Amanhã você vai ter que acordar cedo.

E daí, meu? Se no dia seguinte ela vai ficar mais contente, com a pele iluminada... Pelo visto o que está ruim de levantar é outra coisa!

Nessa altura, até os caras do balcão estão colados na nossa mesa. Trazem mais umas geladas. Querem nos fazer falar menos, talvez... De repente, nos oferecer uma carona... Tipo assim, na próxima vírgula... Só que a conversa descamba.

Pra manter o jargão do futebol, definimos que o cartão vermelho vai para aqueles que não ligam no dia seguinte. Mesmo (e principalmente) depois de uma noite deliciosa. Por que esse medo todo? Alguns ali prendem a respiração. Outros tentam disfarçar...

– Hello, uou!!! Basta um oi, meus queridos, nem precisa falar nada sobre o que rola.
– As mulheres hoje em dia aboliram um monte de frescuras.
– Com tanta concorrência, a gente acaba nivelando tudo para baixo mesmo.
– Um mínimo de paparicação já é considerado O MÁXIMO.

Antes de ir ao banheiro, o cara que começou todo o auê resolve encerrar o assunto:

– Tá bom, tá bom, gatinhas. Agora vocês podem voltar com o papo de homem!!!

 


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