O NOME DA MOSCA

Agripina é uma conhecida que fala à beça e, por ser a mais velha da turma, gosta de distribuir conselhos e frases de efeito a quem possa (ou não) interessar. Sabe aquele famoso manual de regras para as mulheres, muito citado nos filmes americanos? O que ela diz parece uma versão mais apimentada desse tipo de auto-ajuda. Bom, alguns preceitos da tiazona são bastante aproveitáveis, tipo “você pode ligar para uma cara sempre que quiser... apenas mantenha o mistério, em vez de ficar se justificando”.
Segundo ela, se um homem explica que telefonou por causa disso ou daquilo é sinal de que está a fim de você. Gosto de acreditar nisso - normalmente eles só me ligam por algum motivo - e sinto preguiça de falar muito mais do que o alô e o assunto. Conversa boa, para mim, é ao vivo.
Tem outra frase que ela repete muito, “homem não curte baixo-astral, a mulher tem que estar sempre feliz ou pelo menos sorridente”. Pode parecer cruel, mas repare como eles se empolgam mais com as garotas alegres e desencanadas. Uma boa gargalhada é sexy, você não acha? Então espero que os caras se empenhem em nos fazer rir, pô !!!
Já que parti para as reclamações, tenho que mostrar o lado B de Agripina. Pois com tanta experiência pra orientar as colegas, ela mesma não demonstra a mínima segurança quando se apaixona. Vai misturando os próprios ditados e se confunde com os truques que inventou. Aí, mais blá-blá-blá... se sai com um cara mais jovem, por exemplo, começa a fazer um monte de perguntas a qualquer conhecido com a mesma idade do mancebo:
- Quantos anos você tem?!! Então...
Pode ser um vendedor, um frentista, um colega de trabalho. Vasculha coisas íntimas, difíceis, com a maior naturalidade. E conta detalhes sobre seu relacionamento sem pudor, só para saber a opinião da pessoa. A mulher fica hiper curiosa e não consegue respeitar o espaço alheio. Presta atenção no que o namorado fala ao celular e dispara frases como:
 _ Com quem você estava falando ?
 _ Você precisa mesmo ir a essa reunião ?
Ou pior:
 _ O que ela disse quando você disse que...
Uma vez estávamos num bar com dois caras e eles foram juntos ao banheiro. Achei pouco usual, mas continuei a beber. Ela ficou à beira de um surto:
 _ Queria ser uma mosquinha pra entrar lá descobrir tudo o que eles estão falando...
Desde então, sempre que eu vejo uma daquelas insuportáveis moscas de banheiro, acabo lembrando da figura:
_ Xô, Agripina !!!


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