Manual de Uso de Gravatas

A porta do bar se abriu e ele entrou muito sério. Quem não o conhecesse diria que era um carrancudo. Era não. Aquilo tudo era timidez. Ela o conhecia como ninguém. Viera ali somente para que ela o visse. Conhecia os seus hábitos.

Então ela agiu como se estivesse muito a vontade, e que não o tinha visto. Conversou com outros rapazes, sacudiu várias vezes o cabelo, sorriu. Sabia, como Deus sabe as estrelas, que ele ainda era louco por ela. Apesar da briga.

Tocaram uma musica e a noite passou.

Tanta coisa aconteceu depois...
E quando velha, ouviu novamente a canção, sentiu-se mal. O coração disparou. Pensou em chorar.

Trouxeram depressa um pouco de água com açúcar, mas ela pediu apenas que desligassem o rádio.

E nem havia rádio.


Escritor pernambucano. Publicou Vários livros de prosa e artigos em jornais e revistas. Foi agricultor e garimpeiro de pedras preciosas em Goiás e na Bahia. Possui um blog na internet: www.assumpreto.zip.net