Particularidades

O que mais me atrai numa viagem é o chamado "turismo gastronômico". Como diz o Pierre, viajar é como trocar de bar, isso porque não somos adeptos da cidade para turistas, mas sim da cidade real, com seus fedores e aromas, sabores e dessabores. Sentar numa das mesinhas da Adega Pérola no Rio de Janeiro e apreciar uma legítima morcela portuguesa é a minha concepção de um turismo bem feito. Ou ainda, saborear deliciosas pataniscas na ébria companhia de Miguel do Rosário e Priscila Miranda no Pavão Azul. Camilla Lopes nos indicou uma ótima feijoda no Catete. Felizmente não só o Rio oferece essa miríade de riquezas gastronômicas. Em Londrina, no Bar do Jaime, experimenta-se uma suculenta costela de porco, somente às sextas-feiras; no mesmo centro comercial, no andar superior, o Portuga oferece um fantástico bolinho de carne, comparável até mesmo aos famosíssimos croquetes do Moraes, no centro de São Paulo. Em Araçatuba, vejamos, o inigualável cupim casqueirado com mandioca cozida e molho batido é obrigatório. Por isso, não me venham com cristos redentores ou cataratas do iguaçú, o que torna uma cidade única são suas peculiaridades, a forma como um povo lida na cozinha diz muito mais sobre sua história do que monumentos de concreto. Outro dia vi num programa de tv um “tour gastronômico” pelas pizzarias de Nova Iorque, passando especialmente pelo Brooklin, comparando as famosas pizzas napolitana e siciliana, relembrando antigos hábitos dos italianos que por lá aportaram. Porém, aos que não dispõem de sensibilidade gustativa, sempre restará a estátua da liberdade.


Luana Vignon tem 26 anos, mantém uma coluna  na revista virtual Muro escreve regularmente no blog Fake Souvenir e freqüenta assiduamente os bares e teatros da praça Roossevelt (além do Valadares, claro.)