A CAMINHO DA ZONA

A história que conto aqui, não presenciei. Ouvi e nem mesmo sei se aconteceu, mas acabou virando folclore. Não se deu num bar, mas a caminho de um complexo “barzístico”, digamos assim, a zona, para ser mais exato. Ao menos é o que reza a lenda – verídica, quiçá. E é sempre uma boa pedida, numa mesa de boteco, risos ao final da quase-piada garantidos.

Um boêmio, não um qualquer, um daqueles clássicos, linho passado, chapéu, cinto, sapato, tudo combinando, descia, à madrugada, as ruas do Centro Histórico ludovicense rumo à ZBM, a Zona do Baixo Meretrício, já nem tão charmosa assim. Conhecido por lá, centavo nenhum no bolso, os cadernos das donas apanhavam no fiado, com os prazos cumpridos de forma sagrada, posteriormente.

No caminho, o boêmio foi abordado por um nada amistoso grupo, que queria tomar-lhe os cobres – que não tinha. Jóias também não.

“Como é que tu sai de casa sem um centavo no bolso?”, perguntou-lhe um do grupo. “Teu cinto é bem bacana. Dá pra cá!”, pediu outro, sem nem esperar pela resposta à primeira indagação.

Este, dobrou o cinturão ao meio e começou a aplicar-lhe uma baita surra, enquanto gritava: “Isso é pra ti aprender a não andar liso!”. E tomem cintadas nas costas do moço.


 Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com e freqüenta também o Boteco do Tulípio, outro pedaço de paraíso.

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