“O ALMOÇO DE NOEL”

Esta história nos foi legada pelo garboso Almirante, cantor das antigas e grande pesquisador e colecionador da música brasileira.

Certa tarde, Almirante entrou num bar do Rio de Janeiro e encontrou seu amigo e companheiro de Bando de Tangarás, Noel Rosa, recém despertado, sentado à última mesinha, num canto, sozinho, com um grande copo de cerveja e outro de cachaça à sua frente, ambos os continentes repletos de seus respectivos conteúdos. Naquela altura Noel já era sabidamente tísico, portador de uma tuberculose galopante que iria rapidamente causar sua prematura morte e obviamente não podia sequer passar perto do álcool. Almirante espantado perguntou: “Noel, o que é isso?”, apontando para os impávidos recipientes. Noel então explica, com sua sapiência de quase médico: “Almirante meu caro, não é comum perder a fome depois de se ingerir certas quantidades de cerveja ?! Pois então, você sabe que a cerveja contém inúmeras proteínas, sais minerais e portanto alimenta! Eu estou aqui almoçando oras!”

Inconformado com a resposta típica de Noel, tentou então a última cartada: “Tá bom Noel, mas e a cachaça?”, ao que Noel retruca: “Meu querido, almoçar sem tomar um aperitivozinho antes também não dá, não é?!!!”