Fugindo de Santa, elementar e insana.
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Paranaense, praticamente fugindo das aventuras boêmias da carioca Tereza. Sim, a Santa. Elementar e insana, perto dos Arcos da Lapa. Menos de 30 anos de praia. Fez que fez, apaixonou-se, surtou, compôs um punhado de músicas de corna, contratou carreto e empirulitou-se para Sampa, a principio tendo como morada de emergência o apartamento da mãe de não sei quem. E aí que inicia o drama. Por falta de decoro à moral e aos bons constumes, foi expulsa pela mesma senhora que em poucos dias habituara-se a chamar de sogra. A alternativa foi reunir meia dúzia de micróbios recém descobertos nas ironias da vida e alugar um teto. Pagou luz, pagou gás, pagou água. Tentava agir como se estivesse realmente em casa mas acontece que a casa, se falasse (e falava), pediria para se transformar num bar, num bar não, num boteco. No naipe doido dos mais junkyes e undergrounds, cheios de seres cuspindo referências beatnik's das fucking roads de sempre.
Entre o banheiro, os quartos, a cozinha e uma sala, apoteóse eletropsicodelicatranscontemporânea desfilando de pirlimpimpim a versões variadas de digamos, Lucy in the sky with ou without rockÅ› our diamonds. Paranaense, fugindo de Santa, menos de trinta de praia, fritando no concreto da terra da enchente. Louca abeça. Em cada um dos seus dias cabiam pelo menos umas três noites. Vez ou outra, alguém a tentava convencer a ficar careta, ela resmungava e logo começava a vasculhar a agenda de telefones em busca de emoções fugazes, em seguida afogava-se em rodas de papos inviáveis de onde tinha a ilusão de extrair algo além de pseudo-insight's que transformariam por completo sua vida precária. Coisa que nunca aconteceu. O negócio dela não era exatamente sair pra ir ao boteco. Cerveja de café da manhã e vodka antes de deitar, era o procedimento de rotina. Não que não dormisse ao longo do dia, suas micro etilicas siestas de quinze minutos ou nem isso. Nada de anti-ácido. Canalha bem versada na malandragem malemolente da nata dos subúrbios brasileiros, era fã de Rebordosa, Itamar Assunção e Mestre Toniquinho Batuqueiro. Tocava viola, cavaquinho e cantava como ninguém. Tinha fama de sapatão mas ficava por isso mesmo. Era como se ela pudesse por ser querida demais, e no mais a cantoria e os expert's da vadiagem sempre terminavam no seu boteco. Boteco não, casa. Ou seja, a casa que se falasse (e falava), diria: - eu não sou uma casa, eu sou um boteco!
Certa feita, sentindo-se um tanto só e já conformada com o fato de se encaixar perfeitamente no esteriótipo “born to be wild”, tomou o último gole de conhaque e decidiu ir a pé ao boteco do Pezão. Caminhou 15 Km a passos curtos, nem euforia, nem cansaço. Só pra ver se descolava um barato diferente na finalidade de dar um grau na sua birinight embriagada de torpor e tédio. Cumprimentou trocentas pessoas, deschavou seu repertório de samba, chorinho, pop, rap and roll, riu, comeu, bebeu e não deu outra, no final da madruga, adivinhe quem foi eleita a anfitriã da saideira? A própria, Paranaense refugiada das bandas de Tereza, ela mesma A Santa. Elementar e insana.
- saúde pra dar pra beber! Grita alguém do chão em franca tirassão de sarro de quem sabe que caiu ali, de onde tão cedo rola, mas não levanta.
Paloma Kliss
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