Gerald Iensen

Desviando de doido

Debaixo do Patrimônio Histórico, eu analisava a marquise cai-não-cai. Uma chuva fez os hippies debandarem: água! Dos que compunham a nossa mesa, só Wilson entrou, mas a chuvinha nem a careca de Chico Discos chegou a molhar, como bom sebista, os pingos lhe escorregam na fronte.
Passada a correria todos se acomodaram novamente na vizinhança. O beco de paralelepípedos úmidos deixou o lugar ainda mais nostálgico. Wilson pra chegar de volta à mesa ileso, teve que se desviar de uns três. Chegou rindo:

Pau Cozido

Agora tudo é lojinha de artesanato genérico. Ahahahahahahahah... gargalhou a moça da mesa ao lado. “Essa foi boa Gerald: artesanato genérico”. É. Os mesmos: da Bahia ao Maranhão, de Mucuri a Carutapera, afinal tudo é Nordeste. O último a virar loja de vender batinhas, saidinhas-de-praia e pau-de-cabelo foi onde funcionou o Bar do Adalberto. “Ah!, mas lá tem umas coreirinhas e uns boizinhos tão fofos”, observou a jovem jornalista.

As Lições

Talvez devêssemos imitar as avestruzes, ou talvez sejamos meros imitadores de avestruzes. Porque quando enfiamos a cabeça no conforto da ignorância outra parte nossa fica a mercê das hienas; e elas não perdoam! E a nossa terra está prenhe delas. A vida é uma coleção de lições poéticas.