Eduardo Goldenberg

Oração pro buteco nosso de cada dia

Quando chegamos num buteco pela primeira vez, há que se ter, necessariamente, olhos de ver e ouvidos de ouvir para que, respeitada a liturgia do lugar, possamos descobrir, depois de alguns copos, se estamos ou não num templo autêntico.

Vila Isabel – A gênese

Estamos em abril de 1999. Vidal me telefona e manda, antes de responder ao meu alô:

— Vou me casar em agosto e morar em um apartamento que ganhamos de presente, Rua Ribeiro Guimarães, sabe onde fica?

Não, eu não sabia.

Ele bem que tentou me explicar, mas diante da dificuldade disse:

— Tô passando aí, vamos até lá.

Finesse

Tá pra aparecer alguém mais fino que o seu Cláudio. Freqüentador diário do Rio-Brasília, glória tijucana encravada na Almirante Gavião, seu Cláudio chega sempre por volta das quatro da tarde, “quando os chatos do almoço já foram embora e os pentelhos do jantar ainda não chegaram” – ele diz essa mesma frase sempre que se senta à mesa. À mesma mesa, diga-se.