Ademir Assunção

MONÓLOGO INTERIOR DE UMA LíNGUA VIVA

Não tem estilo, o puto. Chega sem mais nem menos, vai metendo seus disparates no meu cu, pensa que sou uma qualquer. É claro que eu gosto de sacanagem. Estou na estrada há milênios. Não sou nenhuma Cinderela. Muitos já esporraram na minha boca, comeram meu cu, foderam minha buceta, fizeram miséria comigo. Franceses, irlandeses, judeus, poloneses, brasileiros, ingleses, americanos, assírios, babilônios, árabes, macedônios, argentinos, filhos-das-putas de todo o canto deste planeta.

Sabedoria Confuciana Após o 15° Copo de Sake

a bida
é pra ser
bibida

hic!

 


A POESIA É UMA MINA

quando a noite vem eu ando por aí
meio desleixado um olho aberto o outro atento
no bolso sempre tenho papel e caneta
porque a qualquer momento pode pintar
uma frase porreta, um tumulto, uma treta
e no fundo eu nunca sei quando virá
aquele verso que vai virar tudo de pernas pro ar
e me fazer chegar aonde eu nunca cheguei
aonde esfarrapado e torto eu já nem sei